quarta-feira, 2 de abril de 2025
O aceno à classe média com a reforma do IR na compra e venda de imóvel
Um dos pontos que o governo usará para acenar à classe média na reforma do IR é a redução na tributação de quem compra, vende ou aluga imóveis.
A aprovação da Lei Complementar nº 214/2025, prevista para entrar em vigor em 2027, diminui o peso dos novos impostos sobre o mercado imobiliário e cria mecanismos que podem economizar até R$ 100 mil por operação. Na prática, a lei reduz em 40% a alíquota do IBS e da CBS sobre a venda de imóveis, e em 60% sobre locações, arrendamentos e cessões onerosas.
E cria dois instrumentos para impedir que o contribuinte pague imposto mais de uma vez sobre o mesmo bem. O primeiro é o redutor de ajuste, que garante que o imposto incida apenas sobre o valor realmente agregado ao imóvel entre a compra e a venda. O segundo é o redutor social, que permite abater R$ 100 mil da base de cálculo na primeira venda de imóveis residenciais novos — e R$ 30 mil no caso de lotes.
Dados levantados pelo escritório Menndel & Melo estimam que, com a aplicação desses redutores, a economia gerada por operação pode variar de R$ 30 mil a R$ 100 mil.
Em 2023, o mercado imobiliário brasileiro vendeu 163 mil imóveis novos e movimentou R$ 47,9 bilhões, segundo a Abrainc. Diante desses números, manter a carga cheia significaria mirar justamente em quem compra sem subsídio — a classe média, longe dos programas sociais.
O Globo, Lauro Jardim, 02/abr
terça-feira, 1 de abril de 2025
Centro do Rio vive um boom imobiliário sem precedentes
Com 13 projetos lançados depois do Reviver Centro, a região vai receber mais cinco novos empreendimentos residenciais até o final deste ano.
Quatro anos depois de ter sido lançado pela Prefeitura do Rio, o programa Reviver Centro — que propôs incentivos urbanísticos e fiscais para atrair investimentos imobiliários —vem colhendo bons resultados, comprovados por um estudo divulgado neste mês pelo Sinduscon-Rio. O documento “Reviver Centro — desafios e oportunidades” aponta que, antes da pandemia, havia quatro mil imóveis vazios e abandonados na região, que receberam apenas dois lançamentos residenciais nos cinco anos anteriores ao lançamento do programa, em maio de 2021. A região não figurava sequer entre os 15 bairros da cidade com mais lançamentos.
Atualmente, são 47 projetos licenciados ou em processo de aprovação e 13 lançados, o que significa mais de 2,8 mil novas unidades residenciais — 2,24 mil já comercializadas. O Sinduscon projeta que, em 12 meses, o Centro terá seis mil novos moradores, número que pode mais que dobrar até o fim de 2027, com a chegada de mais 9,5 mil pessoas. E novos projetos não param de chegar à região: até o final de dezembro deste ano, serão mais cinco empreendimentos, que totalizarão 1,8 mil unidades.
— O Centro hoje está entre as três regiões da cidade que mais recebem lançamentos, o que significa muito, levando-se em conta o longo ciclo imobiliário. Mas sempre há oportunidades para melhorar a legislação e ampliar as possibilidades de ocupação do Centro — observa o presidente do Sinduscon-Rio, Claudio Hermolin.
A primeira revisão do Reviver Centro aconteceu em 2023 e permitiu,por exemplo, liberação de gabarito para construções em determinadas áreas, inclusão de hospitais e escolas como novos usos permitidos e ampliação do número de bairros que podem receber investimentos ligados ao programa.
As novidades vêm agradando ao público, que, aos poucos, mostra interesse em adquirir imóveis na região. Segundo o estudo do Sinduscon, 54% das unidades foram vendidas a famílias com renda de até dez salários mínimos — 65% para moradores finais e 35% para investidores. A origem dos compradores é diversa: 39% são da Zona Norte, e 23%, da Oeste, 18% já residiam no Centro, 16% vieram da Baixada Fluminense, e 4%, da Zona Sul.
O boom imobiliário da região continua a todo vapor. A Cury Construtora, uma das primeiras a investir no Centro, lançou dois novos empreendimentos no primeiro trimestre deste ano, com 500 unidades cada um: o Ciata e o Arcos do Porto. E ainda tem fôlego para oferecer mais dois residenciais na região.
Os números são extremamente expressivos e mostram que o carioca realmente aposta na revitalização dessa área tão importante para a cidade. Falta começar a ocupação para que a transformação seja visível. Vamos observar uma mudança gigante nos próximos anos — diz o diretor vice-presidente da Cury, Leonardo Mesquita.
Essa onda de mudanças alcança até prédios icônicos do Centro. O tradicional Edifício Mesbla, debruçado sobre o Passeio Público, vai virar residencial pelas pranchetas da Inti Empreendimentos Imobiliários, que vai ressignificar essa joia da arquitetura carioca. Antes que se levantem questionamentos, é bom informar: o relógio será preservado. O interior do prédio será ocupado por 191 apartamentos, entre estúdios, double suites e unidades de quarto e sala, com área média de 33 metros quadrados. O lançamento está previsto para o início de abril.
— A cereja do bolo é o rooftop, que terá uma piscina debruçada sobre a vista. A localização é premium, ainda mais por se tratar de um prédio emblemático para a História da cidade, rodeado de imóveis preservados e tombados, e com infraestrutura de mobilidade e serviços. O Centro do Rio é hoje um catalisador de negócios — afirma o sócio-diretor da incorporadora, André Kiffer.
O Globo, Morar Bem, 01/abr
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