segunda-feira, 27 de setembro de 2021

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Concessões de crédito recuam em agosto e juro bancário médio sobe ao maior patamar em 16 meses

Queda no volume de empréstimos foi de 2,12% no mês passado. Cartão de crédito rotativo tem juro mais alto em quatro anos.

Concessões de empréstimos bancários recuaram no mês passado, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (27).

A taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras também cresceu no período, em linha com a alta do juro básico da economia, a taxa Selic, fixada pelo BC, e atingiu o maior patamar em 16 meses — enquanto a taxa cobrada no cartão de crédito rotativo foi a maior em quatro anos (leia mais abaixo).

Após baterem recorde em julho, as novas concessões de empréstimos recuaram 2,12% em agosto. O cálculo foi feito após ajuste sazonal, uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes.

Foi a primeira queda nas novas concessões de crédito dos bancos desde dezembro do ano passado. Apesar disso, o patamar de R$ 416,743 bilhões para concessões, em agosto, ficou acima da média dos oito primeiros meses deste ano (R$ 392,855 bilhões).

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o relançamento do Pronampe, programa do governo federal de empréstimos para micro e pequenas empresas, ajudou tanto no resultado positivo de julho quanto, agora, na queda em agosto.

"O Pronampe foi relançado em junho, e teve concessões concentradas em julho. Não houve a mesma coisa em agosto. Então, houve um aumento grande [em julho] por conta dessa linha, reduzindo-se no mês seguinte. Dessa forma, na minha avaliação, esse resultado [queda das concessões em agosto] é pontual", acrescentou ele.

Segundo o BC, o volume total do crédito ofertado pelos bancos subiu 1,5% em agosto, para R$ 4,335 trilhões, na comparação com R$ 4,271 trilhões em julho. Houve expansão de 1,9% na carteira de pessoas jurídicas e aumento de 1% na de pessoas físicas.

Para todo este ano, o Banco Central estima uma expansão de 11,1% no crédito bancário. Em 2020, impulsionado por linhas emergenciais de crédito para o combate aos efeitos da pandemia, o crédito bancário teve alta de 15,5%.

Inadimplência e endividamento

A taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito ficou estável em agosto, em 2,3%. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência permaneceu em 2,9% no mês passado e, no caso das empresas, ficou estável em 1,5%.

O Banco Central também divulgou nesta segunda estatísticas sobre o endividamento das famílias com bancos. Neste caso, os novos números são referentes a junho.

Segundo o BC, o endividamento voltou a bater recorde naquele mês ao somar 59,9% da renda acumulada nos doze meses anteriores. A série histórica do BC para este indicador começa em janeiro de 2005.

Em janeiro de 2020, antes da pandemia da Covid-19, o endividamento das famílias estava em 48,9%. Em janeiro deste ano, já havia avançado para 57% e, em maio, somava 59,2%.

“O BC olha e monitora constantemente as condições do crédito do sistema financeiro nacional, o que parece estar evoluindo sem maior risco. Do ponto de vista das famílias, a questão fundamental é que o seu acesso, das pessoas físicas, ao endividamento, seja feito com educação financeira e esclarecimento sobre as condições [prazo e juros]”, declarou Fernando Rocha.

Juros bancários

Os juros bancários médios com recursos livres (sem contar habitacional, rural e BNDES) de pessoas físicas e empresas, subiram de 28,9% ao ano, em julho, para 29,9% ao ano no mês passado.

Esse é o patamar mais alto desde abril do ano passado (31,3% ao ano), ou seja, em 16 meses. O aumento está em linha com o comportamento da taxa Selic, fixada pelo BC.

Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou para 4,25% ao ano. Em agosto, a taxa subiu para 5,25% ao ano e, na semana passada, foi elevada para 6,25% ao ano.

Nas operações para pessoas físicas, o juro bancário médio passou de 39,8% ao ano, em julho, para para 40,9% ao ano em agosto, a maior desde abril deste ano (41,4% ao ano);

Considerando só as empresas, a taxa média de juros bancários passou de 15,5% ao ano em julho para 16,2% ao ano em agosto, a maior desde março de 2020 (16,6% ao ano) ;

No cheque especial das pessoas físicas, a taxa subiu de 124% ao ano em julho para 124,9% ao ano em agosto, a maior desde junho desse ano (125,6% ao ano). Nessa linha de crédito, o BC adotou um teto para os juros;

Nas operações com cartão de crédito rotativo de pessoas físicas, os juros bancários cobrados das pessoas físicas subiram de 331,5% ao ano, em julho, para 336,1% ao ano em agosto, o maior patamar desde agosto de 2017 (392,3% ao ano), ou sejam em quatro anos. Com isso, a taxa segue em patamar proibitivo.

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente. Essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.

De acordo com o BC, o chamado spread bancário médio com recursos livres ficou estável em 21,7 pontos percentuais em agosto. O spread é a diferença entre quanto os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram dos clientes.

O spread bancário composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Nas operações com pessoas físicas, o spread caiu de 32,2 pontos em julho para 32,4 pontos em agosto. Desta forma, ainda segue em patamar elevado para padrões internacionais.

Alexandro Martello, G1, 27/set

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

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IPCA-15: prévia da inflação acelera para 1,14% em setembro, maior taxa para o mês desde o início do Plano Real

Gasolina e energia elétrica foram, novamente, as 'vilãs' da alta de preços no país. Com o resultado, inflação acumulada em 12 meses passa de dois dígitos e atinge quase o dobro do teto da meta do governo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, acelerou de 0,89% em agosto para 1,14% em setembro, apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano, o índice acumulou alta de 7,02%. Já no acumulado em 12 meses, o indicador superou os dois dígitos, ficando em 10,05%, quase o dobro do teto da meta estabelecida pelo governo para a inflação deste ano, que é de 5,25%.

O resultado veio pior do que o esperado pelo mercado. Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 1,02% para o período.

Gasolina e energia: as vilãs da inflação

De acordo com o IBGE, a gasolina e a energia elétrica foram os itens que exerceram os maiores impactos individuais sobre o IPCA-15 de setembro, de 0,17 ponto percentual cada.

O preço médio da gasolina subiu 2,85% entre agosto e setembro e acumulou alta de 33,37% no ano e de 39,05% nos últimos 12 meses.

Já o preço médio da energia elétrica teve alta de 3,61% em setembro, abaixo da registrada em agosto, que foi de 5%. No ano, a alta acumulada foi de 20,27%, enquanto nos últimos 12 meses o aumento acumulado foi de 25,26%.

O IBGE destacou que em agosto d vigorou a bandeira tarifária vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

Quase tudo mais caro

O aumento de preços na passagem de agosto para setembro foi, mais uma vez, generalizado entre os produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para o cálculo do IPCA-15.

Dos 367 itens que compuseram a cesta analisada pelo órgão no mês, 253 registraram alta. Com isso, o índice de difusão da inflação ficou em 68,9%.

Dos nove grupos pesquisados, oito registraram aumento de preços - somente o de educação teve taxa negativa no mês, embora próxima da estabilidade.

Segundo o IBGE, a alta da inflação no mês foi puxada pelo grupo de transportes, cuja variação mensal foi o dobro da registrada na passagem de julho para agosto, resultado influenciado pela alta de 3% nos preços médios dos combustíveis, acima da alta de 2,02% registrada em agosto.

Além do grupo de transportes, outros três registraram variação superior à do mês anterior (alimentação e bebidas, artigos de residência e saúde e cuidados pessoais). Os outros cinco grupos registraram desaceleração da taxa na comparação com agosto.

Veja o resultado do IPCA-15 para cada um dos grupos:

Alimentação e bebidas: 1,27%

Habitação: 1,55%

Artigos de residência: 1,23%

Vestuário: 0,54%

Transportes: 2,22%

Saúde e cuidados pessoais: 0,33%

Despesas pessoais: 0,48%

Educação: -0,01%

Comunicação: 0,02%

Comida cada vez mais cara

A inflação do grupo Alimentação e bebidas acelerou de 1,02% em agosto para 1,27% em setembro. Desde março, a taxa para este grupo acelera a cada mês.

A principal influência do aumento em setembro, segundo o IBGE, partiu da alimentação no domicílio, que acelerou de 1,29% em agosto para 1,51% em setembro.

As carnes tiveram reajuste de 1,10% e foram as principais responsáveis pelo resultado, com impacto de 0,03 p.p.

Todavia, os alimentos que registraram os maiores aumentos de preços no mês foram a batata-inglesa (10,41%), o café moído (7,80%), o frango em pedaços (4,70%), as frutas (2,81%) e o leite longa vida (2,01%).

No lado oposto, de queda de preços, os destaques ficaram com o arroz (-1,03%), que registrou a oitava deflação mensal consecutiva, a cebola (-7,51%), a sexta taxa negativa seguida.

A alimentação fora do domicílio também acelerou na passagem de agosto para setembro, passando de 0,35% para 0,69%.

“No entanto, observaram-se movimentos distintos nos dois principais componentes desse subgrupo: enquanto a refeição subiu 1,31%, frente à alta de 0,10% no mês anterior, o lanche registrou recuo de 0,46%, após alta de 0,75% em agosto”, destacou o IBGE.

Passagens aéreas voltam a subir

Os preços médios das passagens aéreas subiram 28,76% em setembro, após terem registrado queda de 10,90% em agosto.

No acumulado do ano, as passagens aéreas continuaram registrando deflação. Mas a alta mensal fez com que essa queda acumulada fosse reduzida em mais da metade - passou de -34,52% em agosto para -15,70% em setembro.

Já o indicador acumulado em 12 meses quase dobrou, passando de 29,03% para 56,68%.

Alta em todas as regiões pesquisadas

A alta do IPCA-15 foi registrada em todas as 11 áreas regionais do país em que o IBGE realiza a pesquisa de preços para calcular o indicador.

Fortaleza registrou a menor taxa, influenciada pela queda nos preços do tomate, das carnes e dos produtos farmacêuticos. Já a maior variação foi registrada em Curitiba, onde pesaram as altas da gasolina e da energia elétrica.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 14 de agosto e 14 de setembro de 2021 e comparados com aqueles vigentes entre 14 de julho a 13 de agosto. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos

Inflação persistente e acima da meta

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Na última quarta-feira (22), a entidade monetária decidiu aumentar a Selic de 5,25% para 6,25%. Foi a quinta alta consecutiva da taxa, que atingiu o maior patamar desde julho de 2019.

Na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central dois dias antes do aumento da Selic, os analistas do mercado financeiro aumentaram de 8% para 8,35% a expectativa para a inflação de 2021.

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 4,03% para 4,10% a estimativa de inflação - foi a nona alta seguida no indicador.

No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Daniel Silveira, G1, 24/set

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Casa 5 Suítes na Barra da Tijuca - R$ 4.000.000,00



Selic a 6,25%: veja como fica a rentabilidade da poupança e de outros investimentos

 

Caderneta de poupança passa a ter retorno de 0,36% ao mês e de 4,38% ao ano, mas deve continuar perdendo para a inflação. Veja simulações de como ficam os investimentos nas principais aplicações de renda fixa.

Com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a taxa básica de juros (Selic) para 6,25% ao ano, aplicações financeiras em renda fixa passarão a render um pouco mais.

A rentabilidade da caderneta de poupança, por exemplo, passará a ser de 0,36% ao mês e de 4,38% ao ano, segundo informa a Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac). Até então, com a Selic a 5,25% ao ano, o rendimento da aplicação financeira mais popular do país estava em 0,30% ao mês e de 3,68% ao ano.

Nesta quarta-feira (22), o Banco Central decidiu elevar novamente a Selic em 1 ponto percentual, confirmando as expectativas do mercado. A expectativa dos economistas é de que a taxa Selic continue avançando nos próximos meses, e atinja 8,25% ao ano no fechamento de 2021 em meio às preocupações com uma inflação que tem ficado cada vez mais acima do teto da meta do governo para o ano, que é de 5,25%.

Veja abaixo simulações de como fica a rentabilidade da caderneta de poupança e de outras aplicações de renda fixa.

Simulação de aplicação de R$ 10 mil na poupança

Pela regra em vigor desde 2012, quando a Selic está abaixo de 8,5% a correção anual da caderneta de poupança é limitada a um percentual equivalente a 70% dos juros básicos mais a Taxa Referencial (TR, que está em zero desde 2017).

Veja como fica um rendimento de R$ 10 mil na poupança num prazo de 12 meses, considerando a manutenção da nova taxa de retorno, segundo simulações do diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira:

Antes: rendimento era de R$ 368 (totalizando R$ 10.368 ou 3,68% ao ano)

Agora: rendimento será de R$ 438 (totalizando R$ 10.438 ou 4,38% ao ano)

Vale destacar, porém, que os depósitos feitos até abril de 2012, na chamada "poupança velha", continuam rendendo 0,50% ao mês e 6,17% ao ano (ou R$ 617 para cada R$ 10 mil aplicados).

Poupança x Inflação

Mesmo rendendo mais, a poupança tende a continuar perdendo para a inflação. Já são 12 meses seguidos que a modalidade amarga uma queda no poder de compra.

Desde setembro do ano passado, a poupança vem perdendo rentabilidade em termos reais. Em agosto, o retorno em 12 meses, descontada a inflação, foi de -7,15%, segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica. Foi o pior rendimento real da poupança desde outubro de 1991, quando o poupador que deixou o dinheiro nesta modalidade perdeu -9,72% no acumulado em 1 ano.

Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,87% e a inflação oficial do país atingiu 9,68% em 12 meses. Em meio ao aumento do preço da energia e dos combustíveis, os analistas projetam uma aceleração da taxa de inflação em setembro.

Em 2021, os saques nas cadernetas de poupança já superam os depósitos em R$ 15,629 bilhões. O estoque dos valores depositados pelos brasileiros nesta modalidade de investimento, porém, ainda somava R$ 1,036 trilhão em agosto.

Como ficam os outros investimentos

A elevação da Selic tende também a melhorar a rentabilidade de outras aplicações financeiras em renda fixa, como investimentos em títulos públicos, vendidos por meio do Tesouro Direto, além de Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), e debêntures incentivadas, que são títulos emitidos por empresas para financiar seus projetos e operações.

"A renda fixa tem ganhado cada vez mais espaço. Já há investimentos com rentabilidades acima de 10% ao ano na modalidade pré-fixada, algo que não era visto desde o ano de 2017", afirma o CEO e fundador do buscador de investimentos Yubb, Bernardo Pascowitch.

O levantamento do Yubb projeta as rentabilidades anualizadas (12 meses), considerando Selic a 6,25% ao ano, projeção de mercado de inflação de 8,35% ao ano e alíquota de 20% de imposto de renda a prazos de vencimento entre 181 e 360 dias.

Embora a poupança deva continuar perdendo para outras aplicações, a Anefac destaca que a modalidade mais popular do país continuará se destacando, por exemplo, frente aos fundos de renda fixa, principalmente sobre aqueles cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano.

Por serem isentos do pagamento de imposto de renda, os rendimentos da poupança podem superar também os de CDBs de grandes bancos.

"Considerando uma aplicação em CDB o investidor teria que obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para atingir o mesmo ganho obtido pela poupança nova já que as aplicações em CDB’s pagam igualmente IR de acordo com o prazo de resgate da aplicação", alerta a Anefac.

Onde colocar o dinheiro?

Apesar da maior procura por ativos de renda fixa e da retirada de recursos observada na Bolsa, os educadores financeiros lembram que a diversificação continua sendo fundamental para maximizar os retornos dos investimentos no longo prazo.

Levantamento do Yubb mostra que os investimentos mais buscados neste mês são, pela ordem: CDBs, Tesouro Direto, fundos multimercado e fundos de ações.

Investimentos mais buscados em setembro:

1. CDBs

2. Tesouro Direto

3. Fundos multimercado

4. Fundos de ações

5. Criptoativos

6. LCI/LCA

7. Ações livres

8. LC/RDB

9. Fundos imobiliários (FIIs)

10. Fundos de índice (ETFs)

Fonte: Levantamento Yubb, consideradas as buscas entre 1 e 21 de setembro

Darlan Alvarenga, G1, 23/set

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Casa 4 Suítes no Itanhangá - R$ 2.500.000,00

 


BC deve elevar juros nesta quarta para 6,25% ao ano, maior nível em dois anos, estima mercado

Se confirmada, será a quinta elevação consecutiva da taxa básica de juros. Banco Central tenta conter a propagação das pressões inflacionárias.

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta-feira (22) e deve elevar a taxa básica de juros, a Selic, pela quinta vez seguida, de 5,25% para 6,25% ao ano — o maior patamar desde julho de 2019, ou seja, em pouco mais de dois anos.

Essa é a previsão dos analistas do mercado financeiro, em pesquisa efetuada pelo BC na última semana com mais de cem instituições financeiras. A decisão será anunciada após as 18h.

A expectativa dos economistas dos bancos é de que a taxa Selic continue avançando nos próximos meses, e que atinja 8,25% ao ano no fechamento de 2021.

O principal instrumento do Banco Central para conter a propagação da alta de preços é a taxa básica de juros, que é definida com base no sistema de metas de inflação. Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic, e a reduz quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas.

Para 2021, a meta central de inflação é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Neste momento, o BC já está olhando para a meta de inflação de 2022 para definir os juros. No próximo ano, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, ficou em 0,87%. Esta foi a maior taxa para um mês de agosto desde 2000. Em 12 meses, a inflação atingiu 9,68%, a mais alta desde fevereiro de 2016.

De acordo com levantamento do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), mais da metade da inflação, neste ano, é resultado da disparada dos combustíveis, energia e carne. Esses estão entre os itens que mais têm pesado no bolso do brasileiro e na inflação.

O mercado financeiro estima que o a inflação medida pelo IPCA somará 8,35% neste ano, mais do que o dobro da meta central (7,5%) e acima do teto de 5,25% do sistema de metas. Para 2022, a previsão de inflação do mercado está em 4,10%, acima da meta central mas ainda dentro do intervalo de tolerância.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, o objetivo do Banco Central é buscar atingir a meta de inflação em 2022, e, também, resgatar a confiança do mercado e dos investidores.

"É uma sinalização ao governo que precisa contribuir na sua parte para não criar mais situações inseguras para o investidor resultando na alta do dólar e pressionando a inflação", disse.

Ele avaliou que as pressões inflacionárias brasileiras estão acima do registrado em outros países. "Já era esperada uma inflação residual conforme a vacinação e a atividade fossem acelerando. O problema é que o Brasil passou por uma crise hídrica, geadas históricas e, de quebra, por uma crise institucional no governo que deixa o Congresso inoperante", concluiu.

Risco fiscal

Além da disparada da inflação, analistas avaliam que o chamado "risco fiscal", que são as incertezas sobre as contas públicas no futuro, também tem pressionado os juros neste ano, assim como a taxa de câmbio — o que retroalimenta as pressões inflacionárias.

O risco aumentou, segundo economistas, com a proposta do governo para parcelar precatórios. A área econômica tem dito que o objetivo é abrir espaço no teto de gastos para direcionar mais recursos para a ampliação do Bolsa Família.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, entretanto, avalia que é possível pagar os precatórios (sentenças judiciais) e fazer uma ampliação, mesmo que mais modesta, do Bolsa Família em 2022 sem necessidade de alterar as regras vigentes.

Felipe Salto, diretor-executivo da IFI, avaliou demanda por alterar as regras dos precatórios e abrir espaço no orçamento "nitidamente, vai muito além de ampliar auxílio ou Bolsa Família".

Segundo ele, entre as preocupações do governo e dos parlamentares, ao propor a mudança nos precatórios, está a abertura de espaço para gastos, em 2022 (ano eleitoral), com emendas de relator — consideradas menos transparentes que as individuais porque a destinação dos recursos é definida por meio de acertos informais entre parlamentares aliados e o governo federal.

Gabriel Leal de Barros, sócio e economista chefe da RPS capital, estimou que o chamado "risco fiscal" responde por cerca de um ponto percentual na taxa básica de juros. Ou seja, sem essas incertezas sobre as contas públicas, o juro estaria um ponto percentual menor do que o nível atual.

Consequências da alta dos juros

De acordo com economistas, o aumento do juro básico da economia, tem vários reflexos na economia. Veja abaixo os principais:

A elevação da taxa de juros, o aumento do juro básico da economia, se confirmado, resultará em taxas bancárias mais elevadas, tendo impacto maior na linha e crédito para aquisição da casa própria (pois os valores buscados são mais altos). Além do juro básico, o aumento do IOF anunciado pelo governo também impacta o custo final dos empréstimos.

O aumento da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos, impactando, assim, o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda.

O aumento da taxa básica da economia gera uma despesa adicional com juros da dívida pública. Gabriel Leal de Barros, da RPS Capital, calculou que o ciclo de alta da Selic de 2% ao ano, em março de 2021, para 6,25% ao ano, se confirmada, geraria uma despesa adicional de cerca de R$ 140 bilhões com juros da dívida (se mantida em 12 meses) - valor semelhante ao orçamento da área de Saúde em 2022.

Aplicações financeiras em renda fixa, como a caderneta de poupança, tendem a render um pouco mais. Com o juro básico em 6,25% ao ano mais taxa referencial (TR), por exemplo, a poupança passará a render 4,37% ao ano, contra 3,67% ao ano, mais TR (com taxa Selic em 5,25% ao ano). Mesmo assim, o rendimento da poupança segue perdendo da inflação.

Alexandro Martello, G1, 22/set

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Casa 4 Suítes na Barra da Tijuca - R$ 6.000.000,00



Crise na Evergrande: por que o mercado está em alerta e quais as possíveis consequências para o Brasil e o mundo

Conglomerado de construção civil tem dívida de US$ 300 bilhões e dá indícios que pode dar calote, comprometendo mercado de commodities, bancos e todo o financiamento da economia chinesa.

O mercado financeiro global abriu a segunda-feira (20) em derretimento com notícias preocupantes do grupo de construção chinês Evergrande, levantando preocupações com um possível "alerta de quebradeira" na China – e no mundo.

A reportagem responde abaixo as seguintes perguntas:

Quem é a Evergrande?

O que está acontecendo com a empresa?

Como começou a crise?

Quais os efeitos de um possível calote da Evergrande?

O que pode acontecer agora?

Quais as consequências para o Brasil?

1. Quem é a Evergrande?

A empresa é segunda maior do imenso mercado chinês, a ponto de fazer parte da lista Global 500, da revista Fortune, que reúne as maiores companhias do mundo em receita.

A Evergrande foi fundada em 1996 e alcançou a prosperidade no mercado imobiliário. A empresa assina projetos de construção em 280 cidades, tem uma subsidiária no mercado de veículos elétricos, uma empresa de mídia, um parque de diversões e um time de futebol, o Guangzhou Evergrande.

2. O que está acontecendo com a empresa?

A expansão da Evergrande foi patrocinada por um endividamento sem precedentes. A empresa tem mais de US$ 300 bilhões em débitos abertos, com juros rolando acima da capacidade de pagamento.

Dívida alta costuma ser característica comum em empresas de construção pela própria natureza do negócio. É necessário colocar dinheiro à frente para financiar projetos e aguardar o recebimento aos poucos, conforme os compradores financiam seus imóveis.

A Evergrande, contudo, esticou demais o comprometimento de caixa e a crise mundial causada pela pandemia abalou o faturamento previsto.

3. Como começou a crise?

O primeiro sinal de que havia desajuste aconteceu em agosto do ano passado, quando a construtora pediu socorro ao governo de Guandong (onde está sediada), pois não teria fundos para pagar dívidas com vencimento em janeiro. Um dos grandes investidores da empresa capitaneou o alívio e esticou o prazo de pagamento de US$ 13 bilhões.

Ainda assim, a crise de solvência seguiu. A empresa chegou a desenhar um plano para cortar US$ 100 bilhões da dívida até meados de 2023, mas até agosto havia cortado apenas US$ 8 bilhões. A agência de classificação de risco Fitch diz que algum tipo de calote é “provável”.

A situação chegou ao ponto de, segundo o jornal The New York Times, a empresa “forçar” os próprios funcionários a fazerem empréstimos de curto prazo em setembro deste ano para garantir o pagamento de bônus ao fim de 2021.

Neste sábado, a empresa disse em uma postagem do WeChat que os investidores interessados ​​em resgatar produtos de gestão de fortunas com ativos físicos devem entrar em contato com seus consultores de investimento ou visitar escritórios locais.

4. Quais os efeitos de um possível calote da Evergrande?

Listada na bolsa de Hong Kong, a empresa já perdeu quase 85% do seu valor de mercado. A queda no último pregão, desta segunda, foi de 10%. E o risco de calote de um grupo gigante de construção gera uma série de ameaças, tanto à economia chinesa como aos mercados internacionais.

Em resumo, os primeiros efeitos seriam os seguintes:

A maior parte dos enormes empréstimos tomados pela Evergrande saiu de bancos e instituições financeiras chinesas. Um calote generalizado no setor pode causar insolvência de todo o sistema chinês de financiamento;

Um prejuízo ao financiamento de empresas chinesas pode causar paralisação de atividade em todo o mundo, mais grave ainda nos principais parceiros comerciais do país;

A construção civil é um dos motores de emprego e de retomada da economia chinesa após a pandemia do coronavírus no último ano e meio;

O setor é um dos principais consumidores de commodities, como minério de ferro, cobre, entre outros materiais. Um baque nas cotações internacionais pode impactar países emergentes e exportadores desses produtos, inclusive o Brasil.

5. O que pode acontecer agora?

Para analistas de mercado consultados pelo G1, são dois os aspectos em que o mundo estará atento nos próximos dias. Primeiro, como será (se houver) o plano de resgate da empresa e qual será o impacto nos bancos financiadores e nos setores adjacentes na economia chinesa.

O analista afirma que há ainda uma crise de confiança causada pelo caso Evergrande, em que a disposição de negociar cai. Estima-se que a empresa tenha mais de 1,4 milhão de imóveis em construção, que podem nunca ser entregues.

E que, como a empresa tem um enorme estoque de ativos que precisarão ser liquidados às pressas — que vão de terrenos a casas não vendidas, passando pelo estádio de seu clube de futebol —, haverá uma pressão de desvalorização geral no setor.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava alta de 8,1% do PIB chinês em 2021, segundo maior avanço entre os países analisados para este ano. Um espalhamento da crise da Evergrande pode colocar não só esse número em revisão, como de toda a cadeia global.

Toda a situação da Evergrande cria um dilema especial ao governo chinês. Por um lado, o presidente Xi Jinping precisa decidir nos próximos dias se cria um plano de resgate à empresa e se torna conivente com os excessos no sistema financeiro. Por outro, deixa a Evergrande afundar e coloca em risco toda a economia chinesa, que ainda se recupera da pandemia.

6. Quais as consequências para o Brasil?

A China é a principal parceira comercial do Brasil, em especial pela compra de commodities. Em plena pandemia do coronavírus, a balança comercial brasileira colheu superávit de US$ 50,9 bilhões, dos quais US$ 68 bilhões foram em exportações aos chineses.

Segundo a FGV, o superávit comercial do Brasil com a China equivale a 70,4% do saldo do país de janeiro a maio deste ano.

Nesta tarde, o resultado se mostrava na cotação das principais empresas exportadoras com ações listadas na bolsa de valores de São Paulo, a B3. Às 15h, a Vale acumulava queda de 5%. A Petrobras, de 3%. Braskem caía 9%. O Ibovespa, índice das principais ações da bolsa, recuava mais de 3%.

Raphael Martins, G1, 21/set

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Casa 4 Quartos, 2 Suítes na Barra da Tijuca - R$ 2.600.000,00

 


Bovespa cai mais de 3% e perde o patamar dos 108 mil pontos

Na sexta-feira, Ibovespa fechou em queda de 2,07%, a 111.439 pontos. No ano, perda é de mais de 6%.

O principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em forte queda nesta segunda-feira (20), se aproximando de mínimas no ano, em dia de fortes perdas no mercado externo com a expectativa de calote no mercado imobiliário chinês, e à espera das decisões sobre juros aqui e nos EUA, na quarta-feira.

Às 13h56, o Ibovespa recuava 3,25%, a 107.815 pontos. Veja mais cotações.

Na sexta-feira, a bolsa fechou em queda de 2,07%, a 111.439 pontos, acumulando baixa de 2,49% na semana. Na parcial do mês, o Ibovespa tem perda de 6,18%. No ano, o recuo é de 6,37%.

Na melhor marca do ano, no dia 7 de junho, o Ibovespa chegou a atingir 130.776 pontos. Já o pior nível foi registrado em 26 de fevereiro, quando a bolsa fechou aos 110.035 mil pontos. A pior marca intradia do ano foi registrada no dia 2 de março (107.319 pontos).

Cenário

Segundo profissionais do mercado, o risco da incorporadora chinesa Evergrande não pagar juros de dívida que vencem nesta semana e na próxima deve agravar a desaceleração da economia.

Isso piorava as previsões para a economia mundial, cuja recuperação dos efeitos da pandemia já sofria revezes na Europa e nos Estados Unidos com a disseminação da variante Delta, derrubando commodities como minério de ferro e petróleo.

"Além disso, as atenções estão voltadas para a reunião do Fomc na quarta-feira, que poderá trazer detalhes sobre a redução do programa de ativos", afirmou em nota a clientes a equipe de pesquisa econômica do Bradesco em alusão a encontro do comitê de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira.

Simultaneamente, o Banco Central brasileiro anuncia também na quarta-feira a nova taxa de juro, com o consenso do mercado de que a Selic seja elevada em 1 ponto percentual, a 6,25% ao ano, o que pode reduzir ainda mais a previsão de alta do PIB brasileiro em 2022, enquanto ainda enfrenta inflação alta.

"Esse ambiente pode pesar em setores que dependem tanto de linhas de crédito acessíveis como de mais estímulos econômicos", afirmou à Reuters Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora.

Nesta semana, tanto o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) como o banco central brasileiro decidem suas novas taxas de juros.

Segundo o Boletim Focus, divulgado mais cedo, os agentes do mercado já esperam inflação de 8,35% este ano. Já a projeção para a Selic no fim de 2021 foi elevada para 8,25%. A previsão para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, por sua vez, foi reduzida para 1,63%.

Na agenda doméstica, entram em vigor nesta segunda-feira as novas alíquotas do IOF – Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários para custear o Auxílio Brasil, programa proposto pelo governo para substituir o Bolsa Família.

O governo federal elevou IOF para financiar novo Bolsa Família. O aumento vale até 31 de dezembro e deve arrecadar R$ 2,14 bi em 2021. Com o decreto, a alíquota diária do IOF sobre empréstimos passará de 1,50% ao ano para 2,04% para pessoas jurídicas. Já as pessoas físicas passarão a pagar 4,08% anuais ante à alíquota atual de 3% ao ano.

G1, 20/set

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Cobertura Duplex, 5 Suítes no Jardim Oceânico na Barra da Tijuca - R$ 3.800.000,00



Mais da metade da inflação é resultado da disparada dos combustíveis, energia e carne, aponta levantamento

 

Descontados esses itens, IPCA acumulado em 12 meses estaria em 4,37% em vez da taxa oficial de 9,68%, segundo estudo do ISAE/FGV.

Os combustíveis, a energia elétrica e a carne estão entre os itens que mais têm pesado no bolso do brasileiro e na inflação oficial do país, que chegou a 9,68% no acumulado em 12 meses até agosto.

Se os preços desses itens tivessem permanecido estáveis em vez de dispararem, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estaria abaixo de 5% e ainda dentro da meta fixada pelo governo para o ano. É o que mostra levantamento do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV).

Segundo o estudo, elaborado pelo economista e professor Robson Gonçalves, os itens gasolina, etanol, diesel, gás de botijão, energia elétrica e carnes vermelhas foram responsáveis por mais da metade da taxa acumulada em 12 meses até agosto, respondendo por 5,31 pontos percentuais do IPCA. Ou seja, sem esses 6 itens, a inflação seria de 4,37%, em vez dos atuais 9,68%.

O levantamento do economista mostra ainda que, se os preços dos combustíveis, energia e da carne tivessem permanecido estáveis, o INPC estaria em 4,91% no período de 12 meses até agosto, em vez dos atuais 10,42%.

"Essa inflação tem um aspecto que é difícil fugir dela. E a implicação disso que é que outros itens acabam sendo sacrificados para que se consiga pagar conta de energia, o botijão de gás, e assim por diante", acrescenta.

Inflação muito acima da meta para o ano

Desde março, o IPCA acumulado em 12 meses tem ficado cada vez mais acima do teto da meta estabelecida pelo governo para a inflação par 2021, que é de 5,25%. A inflação persistente em meio a um cenário de piora da crise hídrica e de tensão política tem levado diversos economistas a preverem uma inflação maior para este e o próximo ano.

No último boletim Focus — levantamento semanal de expectativas do mercado realizado pelo Banco Central — a projeção para a inflação em 2021 passou de 7,58% para 8%. Para 2022, a previsão foi elevada de 3,98% para 4,10%.

Gasolina e energia são itens com maior peso na inflação

A disparada da gasolina e da energia elétrica tem um agravante extra pois são gastos essenciais e com maior peso na composição do IPCA entre os mais de 400 itens e subitens monitorados pelo IBGE para o cálculo da inflação oficial.

A gasolina tem um peso de 5,98% na taxa e a energia elétrica, 4,81%. Considerando a soma dos 6 itens da cesta do levantamento do ISAE/FGV, o peso chega a 16,23%. É por isso que a alta destes itens impacta tanto na inflação e na percepção de perda de poder aquisitivo.

O cenário de preços nas alturas e de desemprego elevado tem reduzido a qualidade do prato feito dos mais pobres. Para as famílias com renda de um salário mínimo, o preço da cesta básica de alimentos passou a consumir 65,32% dos ganhos mensais, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Comparativo com outros países e fatores de pressão

Conforme mostrou reportagem do G1, no comparativo com os outros países da América Latina, a inflação do Brasil só fica atrás de Argentina e Haiti.

Analistas têm alertado que o controle da inflação tem sido afetado especialmente pela piora da crise hídrica e pelo câmbio, que tem refletido o aumento da tensão política e crise institucional provocada pelo presidente Jair Bolsonaro.

"Essa inflação, em grande medida, é resultado do dólar que cede por conta do clima político muito ruim. Carne é um produto de exportação, combustíveis são produtos transacionáveis. A energia tem uma influência hídrica, mas tem uma uma influência do dólar também quando você aciona as termoelétricas", explica Gonçalves.

Nesta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o "barulho político” tem impedido a queda da cotação do dólar.

Darlan Alvarenga, G1, 17/set

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Apartamento 2 Suítes na praia da Barra da Tijuca - R$ 1.280.000,00

 


Governo mantém em 5,3% estimativa de crescimento do PIB em 2021 e vê inflação mais alta

Expectativa de inflação para este ano subiu de 5,90% para 7,90%. Informações foram divulgadas no Boletim Macrofiscal, do Ministério da Economia.

O Ministério da Economia manteve em 5,3% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (16) pela Secretaria de Política Econômica da pasta, por meio do Boletim Macrofiscal.

Para o ano de 2022, a previsão de crescimento do PIB do governo recuou de 2,51% para 2,50%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

"A manutenção da projeção do ano corrente se deve à continuidade da retomada econômica que vem ocorrendo, como mostram os indicadores coincidentes de atividade. Neste ano, com o avanço da vacinação e queda do distanciamento social, a economia vem registrando um patamar mais alto de expansão", informou o governo.

Assista abaixo a comentário de Miriam Leitão sobre a projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2021.

Apesar de o governo ter mantido sua projeção estável, o ritmo de crescimento tem sido impactado, nas últimas semanas, por dúvidas sobre contas públicas. O mercado aguarda definição sobre como o governo vai custear a expansão do Bolsa Família, buscada para 2022.

Além disso, ruídos políticos têm afetado o crescimento. Na semana passada, o ministro Paulo Guedes, admitiu que o "barulho político" dos últimos dias, com declarações golpistas do presidente Jair Bolsonaro e subsequente recuo, pode desacelerar a economia.

Segundo o Ministério da Economia, reformas pró-mercado e medidas de consolidação fiscal, que foram e estão sendo discutidas pelo Congresso Nacional, "lançam bases para o crescimento sustentável do país no longo prazo".

Avaliou, ainda, que a "consolidação fiscal" em curso (medidas de ajuste das contas públicas) é fundamental nesse processo da melhora da qualidade do crescimento econômico no Brasil.

"Apesar da recente crise e da necessidade de uma resposta ampla com impactos fiscais de curto prazo, o processo de consolidação das finanças públicas teve seu curso mantido", concluiu.

Alta da inflação

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, o Ministério da Economia elevou sua projeção de 5,90% para 7,90% em 2021.

A expectativa de inflação do governo se distanciou ainda mais do centro da meta para este ano (3,75%) e também do teto (5,25%). Com isso, o governo admitiu novamente que a meta deve ser descumprida.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

A previsão da Secretaria de Política Econômica para a inflação está abaixo da estimativa do mercado financeiro, que é de alta de 8% em 2021.

Para 2022, a estimativa do Ministério da Economia para a inflação subiu de 3,5% para 3,75%. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse que é fundamental avançar com a vacinação para manter o ritmo da economia, e acrescentou que o segundo semestre de 2021 deverá ter um crescimento forte do setor de serviços e do investimento privado, lançando as bases para uma alta de 2,5% no PIB em 2022.

“Eu sei que está tendo instabilidade no momento, mas prestem atenção nos 'game changers' [pontos de virada]: a reforma tributária do IR e os precatórios. Assim que aprovarmos [as propostas no Congresso Nacional], estaremos dando um grande sinal de responsabilidade fiscal e compromisso com a sociedade brasileira”, disse ele.

O secretário também afirmou que o governo vai combater a alta da inflação.

“A inflação é o maior inimigo da população pobre. Tenho certeza que a política monetária [alta da taxa de juros] e fiscal [contenção de gastos] irão combater a inflação, porque isso não é questão de ideologia, mas de prezar pelo bem estar da população brasileira, sobretudo a população mais pobre. Faremos o que for necessário para combater a inflação”, declarou.

Alexandro Martello, G1, 16/set

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Casa 4 Suítes na Barra da Tijuca - R$ 3.000.000,00



Economia em 2022: por que expectativas para o Brasil estão piorando rapidamente

Itaú cortou estimativa para o PIB de 2022 para 0,5% e vê alta do desemprego no próximo ano. Outras casas também pioraram suas projeções nos últimos dias.

Os economistas estão revisando fortemente para baixo suas expectativas para o desempenho da economia brasileira em 2022.

Na terça-feira (14), o banco Itaú reduziu sua expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano de 1,5% para 0,5%. O maior banco privado do país também passou a prever aumento do desemprego no próximo ano, com a taxa de desocupação subindo de 12,1% ao fim de 2021, para 12,5% em dezembro de 2022.

Além do Itaú, diversas outras instituições financeiras e casas de análise passaram a prever PIB menor, inflação mais alta e juros também mais elevados no cenário próximo.

Entenda os seis principais fatores que têm feito os analistas reduzirem suas expectativas para o desempenho da economia no próximo ano:

1) Inflação maior e juros em alta

O principal fator citado pelos analistas para a revisão nas expectativas para o PIB em 2022 é o fato de que a inflação no próximo ano deve ficar acima do que era esperado antes.

Com isso, o Banco Central vai ter de subir mais os juros, o que tem efeito negativo sobre o consumo das famílias e o investimento das empresas.

Em agosto, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 0,87%, bem acima do esperado pelos analistas e maior aumento para o mês em 21 anos. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses chegou a 9,68%. O aumento foi puxado pelo preço dos combustíveis e dos alimentos e levou diversos economistas a preverem uma inflação maior para este e o próximo ano.

No boletim Focus — levantamento semanal de expectativas do mercado colhidas pelo Banco Central — a projeção para o IPCA em 2021 passou de 7,58% na semana passada, para 8% essa semana. Para 2022, a previsão foi de 3,98% para 4,10%.

A meta de inflação para este ano é de 3,75% e a de 2022, de 3,50%, conforme determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Logo, as estimativas dos analistas sugerem que a inflação deve ficar acima da meta por dois anos seguidos.

E ainda há outros riscos negativos, como o agravamento da crise hídrica e da situação das contas do governo, que podem piorar ainda mais o quadro inflacionário à frente.

"Nesse contexto, acreditamos que o Copom (Comitê de Política Monetária) ainda não enxergará condições para indicar redução do ritmo de elevação da taxa Selic", escrevem os economistas do Itaú, em relatório, prevendo que a taxa básica de juros chegue a 9% ao ano em 2022, de volta a patamar que não era visto desde 2017. Atualmente, a Selic está em 5,25% e ela chegou a 2% no ponto mais baixo.

2) Menor crescimento da renda

Um segundo fator citado pelos economistas para a deterioração das expectativas para o próximo ano é o crescimento modesto esperado para a massa de renda — que é a soma de todos os rendimentos das população.

"Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB no próximo ano, de 1,7% para 1,3%, escreve a equipe da XP Investimentos.

Segundo os economistas da casa, além dos efeitos mais contracionistas da política monetária (isto é, a alta dos juros) o cenário incorpora "crescimento modesto da massa de renda ampliada disponível às famílias", com alta em torno de 1,5%, descontada a inflação, devido principalmente ao fim do auxílio emergencial, que não deve ser compensado pelo emprego e o aumento esperado do Bolsa Família.

A trajetória de aumento do desemprego prevista pelo Itaú também não sugere perspectiva muito alentadora para o desempenho da massa de renda.

3) Esgotamento do efeito da retomada dos serviços

Um terceiro fator citado pelos economistas é que o impulso gerado pela reabertura da economia este ano — particularmente no setor de serviços —, após período de maior distanciamento social provocado pela pandemia, deve perder força no ano que vem.

"A atividade econômica não se beneficiará mais do impulso advindo da reabertura do setor de serviços, algo que, na nossa visão, ficará restrito ao segundo semestre deste ano", diz o Itaú

O pessimismo no médio prazo é compartilhado por outros analistas.

"No entanto, a aceleração da inflação, o aumento das taxas de juros, o aumento do ruído e da incerteza política, e a interrupção da tendência de alta na confiança do consumidor e dos empresários podem limitar esse desempenho positivo", diz Ramos.

Já a XP Investimentos alerta que "o desemprego elevado e o baixo crescimento da massa real da renda limitam a demanda por serviços em 2022".

4) Desaceleração global

Um quarto fator citado pelos analistas é a expectativa de perda de ímpeto da economia global, o que impacta a demanda e o preço das commodities exportadas pelo Brasil.

O crescimento orquestrado das economias este ano foi impulsionado pela reabertura das cidades, avanço da vacinação e manutenção dos estímulos monetários por boa parte dos Bancos Centrais das economias maduras. No ano que vem, esses fatores se dissipam.

O superávit é a diferença positiva entre o valor exportado e o importado pelo país.

Essa também é a visão do Itaú: "Vemos desaceleração do setor industrial global e queda de preços de commodities ano que vem."

E da XP: "Para frente, vemos as economias brasileira e mundial desacelerando, a taxa de câmbio e os preços das commodities mais estáveis, a taxa de desemprego ainda elevada."

5) Piora da crise hídrica e possível racionamento de energia

Na piora das expectativas dos economistas, também está na conta o agravamento da crise hidroenergética e o crescente risco de racionamento em 2022.

"Como se não bastasse o risco fiscal, a crise hídrica segue pressionando custos de produção, aumentando a inflação e reduzindo as perspectivas de crescimento econômico", escreve a equipe da XP.

A consultoria de investimentos revisou sua projeção de PIB para 2022 de 1,7% para 1,3%, mas avalia que o baixo nível dos reservatórios é o principal fator de risco para essa estimativa.

"Nosso cenário considera os efeitos da crise hídrica e aumento do custo da energia elétrica sobre os níveis de produção e consumo, mas sem racionamento propriamente dito (redução compulsória)", alertam os economistas.

No início do mês, a XP revisou suas projeções para a possibilidade de racionamento nos próximos 12 meses para 17,2%, enquanto o Itaú dobrou seu índice de probabilidade, para 10% em 2022.

6) Eleições conturbadas

Por fim, pesa no pessimismo dos economistas para o próximo ano a certeza de eleições polarizadas e bastante conturbadas.

"O apaziguamento das turbulências políticas deveria interessar sobretudo ao presidente Jair Bolsonaro. Afinal a sua reeleição depende fundamentalmente da melhora da economia", observam os economistas da MCM Consultores.

A consultoria cortou sua projeção para o PIB do próximo ano de 2,1% para 1,4%.

"A principal razão é a perspectiva de agravamento progressivo do quadro político-institucional-fiscal e de incertezas. Um dos fatores mais importantes é a eleição presidencial polarizada e muito provavelmente recheada de propostas populistas de ambos os lados."

BBC, 15/set