sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Mais perto do futuro


Mal entram na Barra, moradores e visitantes se flagram numa ilha de progresso, cercados de obras por todos os lados. Logo no início do bairro, na Avenida Armando Lombardi, encontram as interdições necessárias para permitir o trabalho dos operários nos canteiros do metrô e na extensão do BRT Transoeste. O transtorno, iniciado há cerca de dois anos, ainda está longe de acabar, mas os primeiros sinais do futuro da mobilidade urbana na região surgem na paisagem. A estação Jardim Oceânico da Linha 4 do metrô já está completamente escavada, e a ponte estaiada começa a ser instalada. Também já foi iniciada a construção de dois mergulhões de retorno na via, para facilitar o fluxo de acesso e saída do bairro, uma antiga reivindicação dos moradores que acabou atendida e incluída no pacote de obras do metrô. Enquanto isso, metade do traçado do Lote Zero do BRT Transoeste está implantada. A pista do corredor expresso no sentido Zona Sul está praticamente pronta, e os pontos do canteiro central da Avenida das Américas que receberão estações têm movimentação de operários.

A construção dos mergulhões na Armando Lombardi foi anunciada em 2013. Eliminando a necessidade de sinais, as vias passarão por baixo da pista central, nos dois sentidos, e terão uma altura de 3,60 metros. Além da faixa de rolamento para veículos, haverá passagem de pedestres e ciclovia. Orçada em R$ 35 milhões, a obra deve ficar pronta junto com o metrô, em junho de 2016.

- O metrô acabaria com os retornos. Pedimos, então, a mudança no projeto. Os retornos atendem a todos, tanto para circulação interna como para entrada e saída da Barra. Hoje a praia está sobrecarregada - explica o vereador Carlo Caiado, autor da emenda de requerimento para construção do retorno.

Orçado em R$ 94,9 milhões, o trecho do BRT Transoeste que ligará o Alvorada ao Jardim Oceânico, chamado de Lote Zero, também esteve na mira dos moradores. Foi alvo de diversas audiências e protestos, o que resultou na retirada de um terminal rodoviário do projeto, que ficaria próximo ao metrô. Em junho passado, foi estabelecido que os ônibus serão circulares e só ficarão estacionados no Alvorada.

Outra preocupação era o local das estações. Haverá nove pontos de embarque e desembarque: BarraShopping, Parque das Rosas, Ricardo Marinho, Riviera, Freeway, Porto dos Cabritos e Città America/ Downtown, além dos terminais Jardim Oceânico e Alvorada. A definição, segundo a Secretaria municipal de Transportes (SMTR), foi feita de acordo com a demanda e a acessibilidade: "a facilidade de chegar às estações aproveitando os cruzamentos já existentes, a fim de atender aos principais polos geradores de viagem, como condomínios, escolas e shopping centers".

As estações terão um módulo parador, excetuando as expressas ( BarraShopping e Downtown/ Città America), que serão erguidas com um módulo parador e outro para quem quiser ir direto até o metrô ou o Alvorada. O secretário de Obras, Alexandre Pinto, afirmou que nos próximos dois meses os guard rails dos corredores serão começarão a ser instalados, e depois as lajes das estações, que serão montadas no segundo semestre.

- O primeiro serviço foi a criação da faixa adicional da Avenida das Américas, no canteiro lateral. Começamos no sentido Recreio-Barra, que já está praticamente concluído, e depois no sentido Barra-Recreio, que demanda mais trabalho devido aos desníveis de pistas, o que motivou a construção de um muro de contenção lateral em vários trechos. Para minimizar os transtornos, assim que finalizamos um serviço, já liberamos a pista para o tráfego. Acredito que nos próximos três meses as pistas laterais (construídas para compensar a criação de faixas exclusivas do BRT) estarão prontas - diz o secretário, que rechaça a tese de que o Lote Zero impediria a expansão do metrô, temor de moradores como Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária. Não é só na superfície que as obras estão a todo vapor. As escavações da Linha 4 do metrô, no sentido Leblon, foram finalizadas, e apenas 40 metros separam os túneis entre a Barra e a Gávea. E três das seis estações estão totalmente escavadas: Jardim Oceânico, São Conrado e 
Nossa Senhora da Paz. Gávea, Antero de Quental e Jardim de Alah completam os 16 quilômetros de extensão da rede.

O progresso das intervenções é visível também no asfalto. Na Avenida Armando Lombardi já se nota a construção do viaduto da ponte estaiada. De concreto, ela passará sobre o Canal da Barra e será suspensa por cabos de aços sustentados por dois pilones de 72 metros, cujas fundações estão sendo concretadas.

Simultaneamente, as últimas paredes da estação Jardim Oceânico estão sendo levantadas, e as plataformas de embarque e desembarque, construídas. Já a escavação do rabicho - trecho de 350 metros que permitirá a futura expansão do sistema - deve ser finalizada em fevereiro.

Com tantas intervenções, o impacto no trânsito se torna inevitável. Para Marco Ripper, presidente da Associação de Moradores da Barrinha e do Quebra- Mar, falta planejamento para minimizá-lo:

- Todos os dias, o trânsito é caótico na ponte do Itanhangá. Os agentes terceirizados colocam cones onde querem para facilitar a obra do metrô e, assim, param o trânsito indiscriminadamente.

Em resposta a Ripper, a subprefeitura de Barra e Jacarepaguá disse que solicitou à concessionária do metrô a retirada dos cones e da mureta colocada na saída da ponte. Assim, a pista voltará a ter passagem para dois veículos no sentido Itanhangá-Barra.

Enquanto aguardam o fim dos trabalhos, moradores se preparam para as mudanças que virão. Uma delas diz respeito aos ônibus de condomínio. Com a inauguração do metrô, a quantidade de veículos deverá ser reduzida, e parte dos que continuarem em circulação passarão a ir apenas até a estação Jardim Oceânico, e não mais até o Centro do cidade. Atualmente, a manutenção dessas frotas representa cerca de 30% das cotas de condomínio, segundo administradores como Cléo Pagliosa, presidente da Associação de Moradores do Parque das Rosas:

- Acho que já poderíamos começar, desde agora, a fazer os ônibus irem apenas até a Zona Sul, por exemplo, em vez de até o Centro, nos horários de menor importância. Mas isso, claro, depende da aprovação dos moradores.

Para a advogada Regina Salaroli Barcelos, moradora da Avenida Salvador Allende, a principal vantagem de ter BRT e metrô será poder se planejar:

- Com os dois sistemas, saberei quanto tempo levarei até o Centro e a Zona Sul, em vez de sair de casa sempre com muita antecedência, por causa do trânsito imprevisível.



O Globo, Barra, 12/fev